just poetry

saí de casa Moraes

voltei Melodia

pra onde fui tanto faz

um canto nasceu com o dia

Ah, milline soov hüljata kõik
lauluks muutuda
ja lihtsalt minna
siseneda läbi taskuraadiote,
läbi naiste kõrvaklappide
ning inimeste luid kiigutada.

Ah, milline soov alasti lamada,
lihtsalt niisama, suvalisel pilvel
vihmaks muutuda,
sinna-tänna kukkuda,
puude tippe niisutada,
inimeste päid värskendada,
end hüljata,
õhku pesta
ja järve kohal tilkuda.

...e disse a ela o velho poeta:

" a grande arte

é manter-se vivo "

marulho

Eu e ela imersos
na imensa massa de água
verde translúcida

os sons são distantes
é só o sol, o céu
o mar
e eu e ela imersos
no mundo das coisas sem palavra
das gaivotas, das pedras
e dos peixes

marulho
e não há palavra aqui
nem verso, nem canção
só eu e ela imersos
na imensa massa de água salgada
sob a luz do sol
e o azul do céu sem nuvens

texto de 2004


algo que se acumula com o passar do tempo e que não se vê. algo próximo ao desprezível, mas que faz toda diferença. espécie de sopro, fôlego, brisa leve que quase não se sente. é mais ou menos assim que entendo a poesia. um sentido no sentir a vida. o segredo contado pelo velho Domingos, Vô Mingo, numa praça do Grajaú, pouco antes de morrer. a transmissão de poeta a poeta, da boca ao ouvido, do verso ao olho. é o susto, estranhamento ou encantamento súbito. a experiência do sutil, do subjetivo do humano, transmitido em palavra, isso é poesia.

é um rito

é um tiro

incerto

é um vago

aperto

num lugar bem dentro

de alguém bem longe

é um dito

é um mito

absurdo

vagar num

deserto

outro lugar bem longe

imagem vem de dentro

e acaba onde:

incerto ser inserto

que me olha tão distante

e está tão perto

miragem que em mim mira

deste deserto

eu tento tanto tântalo sonhar

mas desperto

meu melhor amigo,

quem diria

não fala,

mia